🎯 Ressecção de Meningioma do Tubérculo da Sela

🎯 Ressecção de Meningioma do Tubérculo da Sela

> "Desprendendo com precisão cirúrgica o tumor que se aninhou sobre o cruzamento dos nervos da visão, devolvendo a clareza aos olhos que se fechavam para o mundo lateral."


📋 O que é?

Cirurgia para remover um meningioma (tumor benigno das meninges) que nasce especificamente no tubérculo da sela — uma pequena elevação óssea localizada imediatamente acima da hipófise e anterior ao quiasma óptico. Este local estratégico faz com que o tumor comprima o cruzamento dos nervos ópticos de cima para baixo, causando perda visual característica nos campos temporais (visão lateral).

É como remover um musgo que cresceu exatamente sobre o cruzamento de duas estradas importantes, tapando a visão dos motoristas que precisam enxergar para os lados.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Perda visual progressiva (escotoma temporal — "manchas" laterais nos olhos)

🎗️ Acuidade visual diminuída ou embaçada

🎗️ Crescimento tumoral documentado em ressonâncias seriadas

🎗️ Alterações do campo visual detectadas em exame de campimetria

🎗️ Dor retro-orbital (atrás dos olhos) persistente

🎗️ Papiledema (edema do nervo óptico) à fundoscopia


🔧 Tipos de abordagem

🎯 Abordagem Endoscópica Endonasal Acesso pelo nariz, sem craniotomia — ideal para tumores centralizados, menor trauma, recuperação rápida, melhor visualização inferior do quiasma.

🌉 Craniotomia Pterional (Frontotemporal) Acesso pela lateral da cabeça — via clássica que permite controle vascular amplo e acesso às estruturas laterais se necessário.

🔬 Craniotomia Subfrontal Acesso pela base frontal — útil para tumores que se projetam para frente e cima (supra-selares).

⚙️ Orbitozigomática Acesso mais baixo e amplo — quando o tumor se estende lateralmente além do tubérculo ou envolve o clinóide.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento:

  • Endonasal: deitado de costas, cabeça estendida levemente
  • Transcraniana: deitado de costas, cabeça girada 30-45 graus para o lado contrário

2️⃣ Acesso:

  • Endonasal: deslocamento do septo nasal, abertura da parede posterior do seio esfenoidal
  • Transcraniana: craniotomia (4x6 cm), abertura da duramáter, exposição da base do crânio

3️⃣ Exposição do tumor: Identificação cuidadosa do tumor, nervos ópticos, artérias carótidas e hipófise.

4️⃣ Desvascularização: Coagulação da base dural (inserção do tumor) para reduzir sangramento — meningiomas são altamente vascularizados.

5️⃣ Dissecção: Separação microcirúrgica do tumor dos nervos ópticos e trato óptico, preservando a vascularização delicada destas estruturas.

6️⃣ Ressecção: Remoção completa incluindo a base dural (Simpson grau I) quando possível, ou remoção segura do máximo possível sem lesão neural.

7️⃣ Reconstrução:

  • Endonasal: enxerto de gordura/fáscia + cola cirúrgica para prevenir fístula liquórica
  • Transcraniana: fechamento da duramáter, reposição do osso

⏱️ Duração: 4 a 6 horas.


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: 3 a 7 dias.

🚶 Mobilização:

  • Endonasal: em 24-48 horas
  • Transcraniana: gradual em 48-72 horas

📅 Recuperação:

  • Avaliação oftalmológica: verificação da melhora visual (pode levar meses para estabilizar)
  • Endonasal: cuidados com a cavidade nasal (lavagens salinas, não assoar o nariz por 2 semanas)
  • Hormônios: monitorização da função hipofisária (TSH, cortisol, GH)
  • Retorno ao trabalho: 4 a 8 semanas

🎯 Resultados: Melhora ou estabilização visual em 70-85% dos casos quando há déficit prévio; preservação da visão em pacientes sem perda prévia; taxa de recorrência baixa quando ressecção é completa.


🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Procedimento que exige precisão máxima devido à proximidade dos nervos ópticos e hipófise.

Efeitos temporários:

  • Perda do olfato (anosmia) — mais comum na via endonasal, geralmente parcial
  • Secreção nasal com sangue (se endonasal — normal por alguns dias)
  • Dor de cabeça (tensão)
  • Alterações transitórias da visão (edema pós-operatório)

Nossa equipe está preparada para:

  • Perda visual (rara com técnica cuidadosa, mas possível se aderência severa)
  • Lesão da artéria carótida interna (emergência vascular — rara)
  • Fístula liquórica (vazamento de líquido — mais comum em endonasal, tratável)
  • Hipopituitarismo (disfunção hormonal — se hipófise manipulada)
  • Diabetes insipidus (se hipotálamo afetado)
  • Recorrência tumoral (se ressecção incompleta)

Conversamos previamente sobre:

  • Que a recuperação visual pode levar 6-12 meses (o nervo óptico recupera lentamente)
  • Possibilidade de perda permanente do olfato (via endonasal)
  • Necessidade de reposição hormonal se houver comprometimento hipofisário
  • Importância de acompanhamento com ressonâncias anuais

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Indicação clara quando há perda visual documentada ou crescimento tumoral

🔹 Via endonasal preferida para tumores centralizados sem extensão lateral significativa

🔹 Via transcraniana (pterional) para tumores com extensão lateral ou calcificações densas laterais

🔹 Risco cirúrgico geralmente menor que o risco de deixar o tumor crescer e causar cegueira bilateral


🤝 Removemos com a delicadeza de um relojoeiro o tumor que ameaçava o cruzamento vital da visão, devolvendo aos olhos a capacidade de captar o mundo em toda sua extensão lateral, preservando a janela da alma que se fechava silenciosamente. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.