🧠 Ressecção de Craniofaringioma
(Via Transcraniana)
> "Navegando pelas vias do cérebro para alcançar o tumor que se esconde atrás dos olhos, entre a hipófise e o hipotálamo, devolvendo a visão e o equilíbrio hormonal."
📋 O que é?
Cirurgia para remover um craniofaringioma, tumor benigno (não canceroso) que nasce na região da sela túrcica (onde fica a hipófise), frequentemente comprimindo o quiasma óptico (cruzamento dos nervos da visão) e o hipotálamo (centro de controle hormonal, fome, sede e temperatura). A via transcraniana acessa o tumor através de uma abertura no crânio.
É como remover uma pedra preciosa encravada no centro de um castelo, rodeada por corredores vitais — precisamos entrar pelas portas laterais (crânio) para alcançar o tesouro sem destruir as muralhas internas.
🎯 Quando é indicada?
🎗️ Craniofaringioma de grande porte com extensão supra-selar (acima da sela)
🎗️ Tumor com calcificações extensas (difíceis de remover pela via nasal)
🎗️ Compressão do quiasma óptico com perda visual
🎗️ Hidrocefalia (obstrução do fluxo de líquido cefalorraquidiano)
🎗️ Recorrência após cirurgia endonasal prévia
🎗️ Tumor com invasão de estruturas adjacentes (lobo temporal, fossa média)
🔧 Tipos de abordagem
🎯 Craniotomia Pterional Acesso pela lateral da cabeça (região temporal), permitindo visualização da base do crânio — técnica versátil para a maioria dos craniofaringiomas.
🌉 Craniotomia Subfrontal Acesso pela parte frontal inferior, útil para tumores que se projetam para frente (visualização da face inferior dos nervos ópticos).
🔬 Craniotomia Orbitozigomática Remove parte do osso orbital e zigomático para acesso mais baixo e amplo — menos retração cerebral necessária.
⚙️ Abordagem Transcalosal Acesso através do corpo caloso (comissura que une os hemisférios cerebrais) — para tumores que se estendem acima do terceiro ventrículo.
🧭 Abordagem Combinada Transcraniana + endonasal para tumores complexos em múltiplos compartimentos.
⚙️ Como funciona o procedimento?
1️⃣ Posicionamento: Deitado, cabeça girada ou estendida conforme a via de acesso escolhida.
2️⃣ Craniotomia: Abertura óssea (4x6 cm aproximadamente) conforme a abordagem (pterional, subfrontal etc.).
3️⃣ Acesso: Abertura da duramáter, retração cuidadosa do cérebro (lobo temporal ou frontal) para expor a base do crânio.
4️⃣ Dissecção: Identificação dos nervos ópticos, artérias carótidas e hipotálamo. Dissecção cuidadosa do tumor, separando-o dessas estruturas vitais.
5️⃣ Ressecção: Remoção da porção sólida do tumor e aspiração do conteúdo cístico (líquido "motor de carro").
6️⃣ Fechamento: Sutura da duramáter, reposição do osso (placa de titânio ou tampa óssea), fechamento em camadas.
⏱️ Duração: 4 a 8 horas.
🌱 O que esperar da recuperação?
🏥 Internação: 5 a 10 dias (UTI neurocirúrgica nas primeiras 24-48 horas).
🚶 Mobilização: Gradual, após avaliação do equilíbrio hídrico e hormonal.
📅 Recuperação:
- Monitoramento hormonal intenso: reposição de cortisol, tireoide, hormônios de crescimento
- Controle do equilíbrio hídrico: diabetes insipidus é comum (sede intensa e urina diluída)
- Avaliação oftalmológica: verificação da melhora visual
- Reposição hormonal: geralmente necessária a vida toda
- Retorno ao trabalho: 2 a 4 meses
🎯 Resultados: Melhora ou preservação visual em 70-80%; controle tumoral (ressecção completa difícil devido à proximidade do hipotálamo); qualidade de vida depende do manejo hormonal.
🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais
Cirurgia complexa na região central do cérebro, exigindo precisão extrema.
✅ Efeitos temporários:
- Sede intensa e urina em grande volume (diabetes insipidus — geralmente transitório)
- Fadiga extrema
- Alterações de humor e comportamento
- Alterações da memória
✅ Nossa equipe está preparada para:
- Hipopituitarismo (falência da hipófise — muito comum, tratável com reposição hormonal)
- Diabetes insipidus permanente (necessidade de medicamento por tempo indeterminado)
- Lesão do hipotálamo (obesidade hipotalâmica, alterações de comportamento, sono)
- Lesão dos nervos ópticos (piora visual — rara com técnica cuidadosa)
- Hidrocefalia (necessidade de válvula de derivação)
- Recorrência tumoral (craniofaringiomas tendem a recidivar)
✅ Conversamos previamente sobre:
- Que a ressecção completa nem sempre é possível sem causar danos graves ao hipotálamo
- Necessidade quase certa de reposição hormonal vitalícia
- Possibilidade de obesidade hipotalâmica (difícil de controlar mesmo com dieta)
- Importância do acompanhamento endocrinológico permanente
⚖️ Tomada de decisão
🔹 Indicação clara quando há compressão do quiasma óptico ou hidrocefalia
🔹 Via transcraniana preferida para tumores grandes, calcificados ou recorrentes após endonasal
🔹 Risco de sequelas hormonais é alto, mas geralmente tratáveis com medicamentos
🔹 Qualidade de vida pós-operatória depende mais do manejo endocrinológico que da cirurgia em si
🤝 Exploramos os recônditos profundos do cérebro como cartógrafos mapeando território sagrado, removendo o tumor que ameaça a visão e o equilíbrio interno, enquanto respeitamos o hipotálamo, o maestro silencioso que governa nossa fome, nossa sede e nossas emoções. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.
