✂️ Rizotomia Dorsal Seletiva para Espasticidade

✂️ Rizotomia Dorsal Seletiva para Espasticidade

> "Selecionando com precisão os fios elétricos que causam o enrijecimento excessivo, relaxando os músculos presos em tensão constante sem paralisar o movimento."


📋 O que é?

Cirurgia para reduzir a espasticidade (rigidez excessiva dos músculos) que ocorre em condições como paralisia cerebral, lesão medular ou esclerose múltipla. Consiste em cortar seletivamente as raízes nervosas dorsais (sensitivas) na coluna lombar que estão enviando sinais excessivos de contração muscular.

É como ajustar o volume de um som alto demais, cortando algumas conexões elétricas específicas que estão causando o ruído, mas preservando as que permitem a música tocar.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Espasticidade severa dos membros inferiores (rigidez que impede movimentos)

🎗️ Paralisia cerebral com espasticidade diparética (afeta ambos os lados)

🎗️ Dificuldade para andar devido à rigidez muscular excessiva

🎗️ Problemas de higiene e cuidados devido à contração muscular permanente

🎗️ Dor causada pela espasticidade

🎗️ Falha de tratamentos conservadores (fisioterapia, botox, medicamentos)


🔧 Tipos de abordagem

🎯 Rizotomia Seletiva Funcional (Com Monitoramento) Técnica moderna onde cada raiz nervosa é testada eletricamente durante a cirurgia — apenas as que causam espasticidade são cortadas.

🌉 Rizotomia de Raízes L2-S2 Abrange as raízes lombares e sacrais que controlam os músculos das pernas.

🔬 Rizotomia Parcial vs Completa Parcial: corta parte das fibras da raiz; Completa: raiz inteira (mais rara, maior risco de perda sensitiva).

⚙️ Com Estimulação Intraoperatória Uso de eletrodos para identificar exatamente quais raízes contribuem para a espasticidade.


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Deitado de bruços, coluna lombar exposta.

2️⃣ Acesso: Laminectomia lombar (remoção das lâminas vertebrais) para expor as raízes nervosas da cauda equina.

3️⃣ Identificação: Separação das raízes motoras (anteriores) das sensitivas (posteriores) — apenas as posteriores são candidatas à seção.

4️⃣ Testes: Estimulação elétrica de cada raiz sensitiva para observar a resposta muscular (monitoramento neurofisiológico).

5️⃣ Seção: Corte das raízes que demonstram resposta exagerada (hiperreflexia), preservando as necessárias para função e sensibilidade.

6️⃣ Fechamento: Sutura da duramáter, fechamento em camadas.

⏱️ Duração: 3 a 5 horas.


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: 3 a 7 dias.

🚶 Mobilização: Início precoce de fisioterapia (essencial para o resultado).

📅 Recuperação:

  • Fisioterapia intensiva: 3 a 6 meses de reabilitação rigorosa (fundamental!)
  • Alongamentos diários: para prevenir contraturas enquanto os músculos relaxam
  • Retorno às atividades: gradual, conforme ganho de amplitude de movimento
  • Retorno ao trabalho: 2 a 3 meses

🎯 Resultados: Redução da espasticidade em 70-90%; melhora significativa da marcha em crianças com paralisia cerebral; facilitação de cuidados e higiene; alívio da dor.


🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Procedimento que exige precisão para não comprometer a sensibilidade ou a função.

Efeitos temporários:

  • Dormência nas pernas (geralmente transitória)
  • Fraqueza muscular temporária (relaxamento excessivo inicial)
  • Alterações da sensibilidade ao toque

Nossa equipe está preparada para:

  • Parestesias desagradáveis (sensação de formigação ou queimação — raro, geralmente transitório)
  • Hipersensibilidade severa (síndrome de disestesia — muito rara)
  • Fraqueza motora permanente (se raízes motoras forem acidentalmente lesadas — raro)
  • Alterações da bexiga ou intestino (raro)
  • Instabilidade lombar futura (devido à laminectomia)

Conversamos previamente sobre:

  • Que o resultado depende MUITO da fisioterapia pós-operatória (cirurgia é só o começo)
  • Possibilidade de dormência persistente nas pernas
  • Que a força muscular pode diminuir inicialmente (os músculos estavam rígidos por reflexo; sem o reflexo, precisam ser fortalecidos)
  • Necessidade de comprometimento familiar com a reabilitação

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Indicação excelente em crianças com paralisia cerebral espástica diparética que têm potencial de marcha

🔹 Melhor resultado quando combinada com fisioterapia intensiva e ortopedia (se houver contraturas ósseas)

🔹 Não é indicada para espasticidade generalizada ou pacientes sem potencial de função motora

🔹 Risco-benefício favorável quando bem selecionado


🤝 Cortamos seletivamente os laços que prendiam os músculos em tensão excessiva, devolvendo às pernas a maleabilidade necessária para que a fisioterapia possa finalmente moldar o movimento com liberdade. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.