👂 Ressecção de Schwannoma Vestibular

👂 Ressecção de Schwannoma Vestibular

(Neurinoma do Acústico)

> "Desprendendo com cuidado o tumor que cresceu junto ao nervo da audição e do equilíbrio, preservando o sorriso e, quando possível, a capacidade de ouvir."


📋 O que é?

Cirurgia para remover um schwannoma vestibular (tumor benigno da bainha do nervo vestibular — responsável pelo equilíbrio), popularmente chamado de "neurinoma do acústico". Este tumor cresce lentamente no canal auditivo interno e ângulo ponto-cerebelar, comprimindo o nervo coclear (audição), nervo facial (expressão facial) e tronco encefálico.

É como remover um cisto que cresceu dentro de um cabo telefônico submarino contendo milhares de fios, tentando preservar os fios da comunicação (audição) e da expressão (facial) enquanto eliminamos os do equilíbrio (vestibular) que já estão comprometidos pelo tumor.


🎯 Quando é indicada?

🎗️ Tumor de qualquer tamanho com crescimento documentado

🎗️ Perda auditiva progressiva (surdez unilateral)

🎗️ Tontura persistente ou desequilíbrio

🎗️ Compressão do tronco encefálico (em tumores grandes)

🎗️ Hidrocefalia associada

🎗️ Pacientes jovens com audição útil residual (tentativa de preservação)


🔧 Tipos de abordagem

🎯 Ressecção Completa Remoção total do tumor — cura definitiva, mas maior risco de lesão neural em tumores grandes.

🌉 Ressecção Subtotal (Parcial) Remoção parcial quando o tumor está muito aderido ao nervo facial ou tronco — preservação funcional prioritária; resto tratado com radiocirurgia.

🔬 Via Retrosigmoide Acesso por trás da orelha (abordagem clássica) — permite ver todo o tumor e preservar audição em tumores pequenos.

⚙️ Via Translabyrinthine Acesso destruindo o labirinto ósseo — para tumores grandes sem audição útil (melhor preservação facial).

🧭 Via Média Fossa Acesso pela base do crânio superior — para tumores pequenos focados no canal auditivo interno (melhor chance de preservar audição).


⚙️ Como funciona o procedimento?

1️⃣ Posicionamento: Deitado de lado ou sentado (posição de park bench), cabeça girada, fixação em três pontos.

2️⃣ Craniotomia: Pequena abertura óssea (3-4 cm) atrás da orelha (fossa posterior), abertura da duramáter.

3️⃣ Exposição: Visualização do tumor no ângulo ponto-cerebelar, identificação dos nervos facial, coclear e vestibular, e do tronco encefálico.

4️⃣ Monitoramento: Eletrodos para monitorar função do nervo facial (evitar paralisia) e coclear (audição) em tempo real.

5️⃣ Dissecção: Separação cuidadosa do tumor dos nervos e vasos, remoção em peças ou fragmentos.

6️⃣ Fechamento: Sutura da duramáter, reposição do osso ou tampa, fechamento em camadas.

⏱️ Duração: 4 a 8 horas (conforme tamanho do tumor).


🌱 O que esperar da recuperação?

🏥 Internação: 3 a 7 dias (UTI neurocirúrgica).

🚶 Mobilização: Sentado em 24-48 horas, deambulação com auxílio (tontura é comum).

📅 Recuperação:

  • Tontura intensa: normal nas primeiras semanas (sistema vestibular compensa gradualmente)
  • Fisioterapia vestibular: essencial para recuperar o equilíbrio
  • Avaliação do nervo facial: observar movimentos assimétricos (paralisia transitória é comum)
  • Cuidados com a ferida: atrás da orelha, proteção contra infecção
  • Retorno ao trabalho: 6 a 12 semanas

🎯 Resultados: Preservação do nervo facial em 90-95%; preservação da audição em 30-50% (tumores pequenos); eliminação do tumor; cura definitiva.


🛡️ Sobre segurança e cuidados especiais

Cirurgia delicada na fossa posterior, exigindo monitoramento neurofisiológico contínuo.

Efeitos temporários:

  • Tontura e desequilíbrio severos (nauseantes — melhoram em semanas)
  • Paralisia facial parcial ou completa (freqüentemente transitória — recuperação em meses)
  • Dor de cabeça occipital persistente ("cefaleia occipital")
  • Zumbido ou piora da audição no ouvido operado

Nossa equipe está preparada para:

  • Paralisia facial permanente (5-10% — tratável com reanimação facial)
  • Perda auditiva completa (no ouvido operado — esperada em tumores grandes)
  • Fístula liquórica (vazamento pelo nariz ou ouvido — tratável)
  • Meningite (infecção das meninges — rara)
  • Hidrocefalia (necessidade de válvula de derivação)
  • Acidente vascular cerebral (raro)

Conversamos previamente sobre:

  • Que a audição no ouvido operado provavelmente será perdida (em tumores médios a grandes)
  • Possibilidade de paralisia facial temporária ou permanente
  • Importância da fisioterapia vestibular para recuperação do equilíbrio
  • Alternativas: radiocirurgia (ciberfaca) para tumores pequenos ou pacientes idosos

⚖️ Tomada de decisão

🔹 Indicação clara em tumores crescentes ou sintomáticos em pacientes jovens

🔹 Tumores pequenos (<2,5 cm) em idosos: observação ou radiocirurgia podem ser opções

🔹 Via retrosigmoide oferece melhor chance de preservar audição em tumores pequenos

🔹 Via translabyrinthine para tumores grandes sem audição útil (melhor preservação facial)


🤝 Navegamos pelas águas profundas da fossa posterior, removendo o tumor que crescia silenciosamente ameaçando o sorriso e o equilíbrio, devolvendo estabilidade ao corpo e preservando, sempre que possível, a expressão facial que comunica nossa humanidade. Este conteúdo não substitui a consulta individual onde seu caso específico será discutido em detalhe.